Claudio Assis

Há muito tempo não escrevo nada. Na verdade, há muito não tenho tempo para escrever.

Lendo o blog do Nassif, contudo, vi uma notícia que muito me chamou a atenção: sexta-feira será lançado o novo filme de Claudio Assis. Seria mais uma pedrada, como Amarelo Manga e Baixio das Bestas? ele diz que não.

Não vi o filme ainda e não posso falar nada. Apenas posso dizer que estou muito empolgado, pois esse é um dos meus diretores brasileiros favoritos. Ainda não fez seu grande filme – em minha opinião – mas tudo que vi até agora, gostei bastante.

A secura e crueza da vida, momentos em que a racionalidade fica em segundo plano, e nos aproximamos de animais… mas a racionalidade ainda está lá. Nos travestimos de animais? Impulso ou Pulsão: de onde vem?

Em todo caso, uma frase me chamou a atenção, em sua entrevista: ele diz que faz cinema para os jovens. Pergunto: QUE JOVENS?

Existe juventude que não seja careta ou niilista que suporte o fardo da realidade?

Acho difícil.

Fui.

 

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Aos defensores da Lei e da Ordem

Janaina, moradora do #Pinheirinho há 8 anos: “entraram na minha casa botando arma na cara, nao deixaram nem a gente pegar os documentos”

Clima de guerra na ocupação Pinheirinho

Um conflito de liminares entre as Justiças federal e estadual, na última semana, permitiu que a Polícia Militar iniciasse, na manhã deste domingo 22, a retirada de milhares de moradores que vivem no assentamento Pinheirinho, em São José dos Campos.

A PM chegou ao local com a Tropa de Choque por volta das 6h – um horário, portanto, em que dificilmente os veículos de comunicação que acompanhavam o caso estariam de prontidão.

As primeiras informações chegaram pela internet. Moradores das proximidades relatavam que os policiais estavam armados e classificaram a ação como um “massacre”.

Polícia e moradores se medem durante operação frustrada, na sexta-feira 13, no assentamento Pinheirinho. Foto: Roosevelt Cássio/Folhapress

Segundo a assessoria da corporação, aproximadamente 1,8 mil policiais trabalham para retirar  9 mil pessoas que vivem há sete anos na área.

De acordo com a PM, os moradores atearam fogo nos acessos da ocupação para dificultar a entrada dos policiais. Para vencer a resistência, a polícia usou bombas de gás lacrimogêneo e balas de borracha.

Ainda segundo a PM, um homem foi ferido por um tiro de munição real disparado pela Guarda Civil Metropolitana. Ele foi encaminhado a um hospital para receber atendimento médico. Agentes da prefeitura de São José dos Campos também dão apoio a operação.

A ação cumpriu uma determinação da Justiça estadual de São Paulo em benefício da massa falida da empresa Selecta, do investidor libanês naturalizado brasileiro Naji Nahas. Os ocupantes dizem, entretanto, ter uma decisão do Tribunal Regional Federal contra a reintegração.

Segundo o jornal “O Vale”, de São José dos Campos, mais de dez pessoas foram detidas por resistirem à operação. Dois helicópteros foram utilizados na operação – um deles com câmera para filmar e fotografar a ação.

Ainda de acordo com “O Vale”, um carro de transmissão móvel da TV Vanguarda  foi incendiado. O veículo seria usado para fazer links ao vivo.

Antes da ocupação, as vias de acesso ao assentamento foram bloqueadas. Os moradores ficaram impedidos de sair de suas casas e entraram em confronto com a Guarda Municipal, que também deu suporte à operação. Segundo a PM, armas que seriam mantidas pelos líderes do movimento de resistência foram apreendidas pelos policiais.

As famílias começaram a deixar o local perto das 13h. Passaram por um centro de triagem e era encaminhadas para casas provisórias.

Para protestar contra a ação de reintegração de posse, moradores da ocupação Pinheirinho bloquearam parcialmente a Rodovia Presidente Dutra, no sentido São Paulo – Rio, na altura de São José dos Campos. Segundo a concessionária que opera a rodovia, a manifestação deixou o tráfego congestionado do quilômetro 162 ao133.

Clima de guerra

Na semana passada, jornais de todo o País estamparam fotos impressionantes dos moradores do assentamento, que não se mostravam dispostos a deixar o local. Com capacetes e camisetas sobre o rosto, para não serem reconhecidos, eles improvisaram trincheiras, escudos, armas e montaram barricadas à entrada das casas em desafio aos policiais. Uma liminar na Justiça, emitida na sexta-feira 13, impediu a ação policial – e, consequentemente, o enfrentamento.

Durante a semana, o Ministério Público Federal da cidade move uma ação contra a prefeitura local, que teria sido omissa no caso nos últimos sete anos.

O MPF aponta erros na trajetória dos órgãos oficiais da cidade. Segundo nota, desde 2006 a União procura fazer a regularização fundiária do local, mas encontrou resistência das autoridades do município. “O MPF encontrou resistência obstinada das autoridades municipais, o que caracteriza omissão juridicamente relevante”, afirma o texto. Além disso, a prefeitura teria se recusado a encontrar uma solução negociada.

Na ação, constam quatro liminares, que o órgão pede para que sejam aprovadas sem julgamento. Caso ocorra a reintegração de posse, o MPF exige da prefeitura garantias aos moradores de que, em até cinco dias, sejam cadastrados em programas habitacionais, seja concedido alojamento temporário em condições dignas de saneamento e que, em até um ano após a reintegração, as famílias recebam aluguel mensal suficiente para imóvel do mesmo padrão.

O órgão pede responsabilização da prefeitura e autoridades locais pelo abandono do assentamento, “transformando-se num verdadeiro bairro esquecido da cidade”. Segundo a ação, com o pretexto de que as habitações eram irregulares, a prefeitura negligenciou a população.

*Com informações da Agência Brasil

http://www.cartacapital.com.br/sociedade/pm-e-moradores-se-enfrentam-durante-reintegracao/

Estado de Direito???

Ronaldo: “moro há 5 anos no #Pinheirinho Construí uma casa com 5 cômodos e agora querem me colocar em uma tenda? O que que é isso?!”

E aí, o que que é isso???

O WC sumiu

Bom texto… apesar de ser da Barbara Gancia…

BARBARA GANCIA
COLUNISTA DA sãopaulo

Quem me frequenta neste espaço já pode ter percebido que mudei de ramo, que agora tenho outros interesses. Escrever coluna passou a ser secundário para mim.
Depois de reformar meu apartamento e fazer minha mudança, virei monotemática. Pessoa me pergunta como foi o jogo do Santos e eu desato a falar sobre os preços da Etna
versus a Tok&Stok.

E lá vou eu usar este espaço mais uma vez para falar sobre meu chatô e os temas que gravitam em torno dele. Por uma questão filosófica, a área de serviço do meu apartamento compreende apenas 1,50 x 2,30 m. Quarto de empregada inexiste, tratei de varrê-lo do mapa. Todo mundo que vem visitar faz questão de perguntar: “Onde você enfiou o quarto de empregada e o resto da área de serviço?”.

Ilustração Alex Cerveny/Folhapress

Lembro de uma amiga inglesa que veio passar férias na casa dos meus pais, há muitos anos, e questionou: “Como é que vocês aguentam viver com esse monte de estranhos dentro de casa?”.

De fato, é uma questão complexa conviver com “o inimigo de branco”. A patroa pode até achar seu relacionamento com a “gutcha” cordial. Claro, ela está no lado rosa-maravilha, no bem-bom, nunca deu meia hora de atenção ao assunto. Provavelmente quem se coloca na pele do trabalhador doméstico não vê a relação de forma tão amigável. E nem teria como fazê-lo, uma vez que ser desvalorizado profissionalmente por princípio não deve ser assim tão agradável, bem como ter bonificações pagas em afeto raramente enche barriga.

É claro que existem patroas excelentes, mas se eu fosse obrigada a ir para a Folha de avental de rendinha e sapatinhos moleca, quem sabe eu não pensasse numa parada estratégica na Bayard para a compra de uma pistola automática antes de chegar à al. Barão de Limeira?

Elevadores de serviço ofendem a dignidade humana. Sabemos que eles só deveriam ser usados por cães molhados e carga pesada. Pois a despeito de decretos e tentativas de mudança de hábito continuamos a insistir no seu uso. E se fosse só o elevador ainda haveria esperança de salvar a espécie tapuia. Acontece que tem também o banheiro, o talher e a comida que a gente se recusa a dividir com quem faz todo o serviço dentro da nossa casa. O filme “The Help”, que ganhou um par de Globos de Ouro no outro domingo, mostra como era a discriminação contra o serviço doméstico nos EUA nos anos 60. Assista e morra de vergonha do Brasil 2012.

Conheço gente que ainda regula a quantidade de biscoitos que a empregada come. Pessoa tem SUV, viaja ao exterior duas vezes ao ano, possui três bolsas Hermès e acha normal fiscalizar o que o serviçal manda para dentro.

E ainda pontifica dizendo que empregada que quer trocar casa de família por emprego em empresa é burralda, pois vai abrir mão de comida e teto gratuitos. Queria ver quem troca sua liberdade por morar de favor no quarto de pigmeu da casa de alguém, sem ter plano de carreira e de saúde ou fim de semana.

Na minha casa não tem banheiro de empregada. O fato suscitou curiosidade na primeira reunião de condomínio de que participei no prédio novo. Como minha explicação inicial não satisfez, tratei de reformular a argumentação: “Minha empregada já vem cagada de casa”. Achei mais fácil simplificar. Em outra oportunidade eu explico melhor.

http://www1.folha.uol.com.br/saopaulo/1037405-o-wc-sumiu.shtml

Boa análise sobre o governo Lula

Não gosto do autor do artigo abaixo… É o tipo de filósofo marketeiro, que gosta de aparecer a qualquer custo. Quem acompanha a – falida – lista de geografia sabe que, no passado, tive uma série de discussões com ele. Aliás, creio que o Pazera finalmente o expulsou da lista, pois viu que o objetivo dele era anagariar postviews para sua página na internet.

Mas o artigo do sr. Ghuiraldelli na folha de 11/01/2011 é bom e aponta um bom caminha para se analisar o governo Lula e o PT e PSDB de hoje.

PAULO GHIRALDELLI JR.

TENDÊNCIAS/DEBATES

Frustração e ódio à democracia

Não é porque a classe média conservadora não tem porta de quartel para bater que ela não deve ser vista como fomentando algo perigoso

Lula repetiu Vargas, mas com mais sucesso. Nossa democracia atual imita um pouco a de 1945-1964, mas com menos melodrama. O elo entre elas é a oscilação do “udenismo”. Eu explico.

Após 1945, segundo o figurino democrático, Vargas criou dois partidos: o PSD (Partido Social Democrático) e o PTB (Partido Trabalhista Brasileiro). Com o primeiro, agarrou funcionários públicos e parte dos setores agrários. Com o segundo, acolheu os sindicalistas.

Na oposição, ficou a UDN (União Democrática Nacional), que de um ideário liberal inicial foi para uma bandeira única: o combate à corrupção. “Udenismo” e “moralismo” tornaram-se sinônimos.

Quando, nos anos 1980, o Brasil iniciou seu caminho sem volta para o fim do regime militar, as oposições ganharam espaço por meio do PMDB e do PT. Ainda que o PT tivesse uma série de propostas, o discurso ético e moral era o seu carro chefe. O PMDB dizia que aquilo não era política, apenas um “udenismo” com capa de esquerda.

Com o PT participando de cargos executivos, o discurso ético perdeu força. O termo já era cadáver quando, com o mensalão de 2005, o PT acabou com a possibilidade de apresentar qualquer discurso moral. O PT enterrou seu apelido de “udenista” do modo mais irônico possível.

Foi então que uma parte da classe média, de mentalidade conservadora, agarrou o discurso moralista, contra a corrupção. Não tendo nenhum partido próprio, foram ao PSDB. Atônito, o PSDB terminou por aceitá-los e, por isso mesmo, como havia ocorrido com a UDN, acabou se distanciando das parcelas mais amplas da população.

Afinal, após 2005, Lula recolheu os cacos do PT pós-mensalão e então realmente começou a governar. Com Mantega à frente, ele fez vingar o programas de bolsas, o PAC e toda uma política de ampliação do mercado interno, anulando a má herança do governo FHC e, ao mesmo tempo, sabendo aproveitar a estabilidade da moeda que o ex-presidente havia deixado.

Assim, Lula se tornou uma quase unanimidade nacional. Quase unanimidade porque o discurso moralista, o “udenismo”, ainda que minoritário e completamente ideológico -talvez até hipócrita-, tem lá o seu folêgo. Quando começa a perder gás, a imprensa acha mais um naco podre no governo, pondo Dilma a dar vassouradas aqui e ali.

A classe média conservadora, vendo a sua impotência eleitoral ganhar clímax nos fracassos do PSDB, vai para a internet para “fazer política com as próprias mãos”.

Despeja na rede toda a sua frustração e seu ódio à política democrática. Nesse tipo de onda, as pessoas começam a querer punições sem investigações acuradas, alimentando uma postura autoritária.

Para eles, a democracia passa a ser vista como algo ruim, uma vez que ela parece só dar vitórias ao Lula ou, digamos, aos setores populares. Aliás, esse tipo de ódio não está distante do que sempre existiu no interior do “udenismo”. Eis a minha conclusão, em forma de alerta: não é porque esses setores não possuem porta de quartel para bater que eles não deveriam ser vistos como fomentando algo perigoso.

PAULO GHIRALDELLI JR., 54, filósofo e professor da UFRRJ (Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro), é autor de “A Filosofia como Medicina da Alma” (editora Manole)

 

Se Cristo (?) tivesse nascido (?) hoje em dia, a parada seria mais ou menos assim….

Cotidiano palestino...

Não sou cristão. Pelo contrário. Mas brincar com as lendas cristãs e relacioná-las com o cotidiano dos palestinos, imersos na opressão israelita, me faz lembrar, nesse Natal, do silêncio católico, evangélico, protestante, petencostal sobre essa situação.
Quanta hipocrisia..