São Paulo FC, Jogo 1 da Era Ceni

 

Bom, não poderia ser uma estréia pior.

Como se fora escolhida a dedo, o Tricolor enfrentou um adversário muito difícil para um time que está começando e para um time que está implantando um trabalho novo. A disposição tática do São Paulo foi, de certa forma, quase que espelhada em relação ao Audax, pelo menos teoricamente. Mas não nos esqueçamos: o adversário está com o mesmo treinados há quatro anos e esses jogadores já estão com ele, em sua maioria, há algum tempo.

Não tinha como dar certo.

Ao contrário do que o treinador espera (e prometera, como vimos nos amistosos), a marcação não foi compacta e implacável. Um time compacto pressupõe que suas linhas de (defesa, meio-campo e ataque) estejam próximas e que tenham mobilidade suficiente para avançar ou recuar de acordo com o momento ofensivo ou defensivo.

Vejamos esse lance, congelado (perdão, mas não tive tempo de editar, desenhar as marcações ou cortar a imagem. Acontece que hoje será o segundo jogo e queria escrever sobre isso antes…):

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O Audax está com dez jogadores defendendo. Não é uma retranca Buzzetiana, ao contrário. É futebol intenso e bem jogado. O Tricolor, por sua vez, tem sete jogadores (Bruno não aparece aqui, mas está na direita, na altura em que está o Tiago Mendes). Apesar da verticalidade, da procura constante ao gol – outro aspecto da filosofia Ceni e também de Diniz – há uma afobação e a jogada é concluída com W.Nem (ótimo jogador, por sinal) que é tocado fora da área (não houve falta marcada).

Aqui o São Paulo entra no jogo do Audax, que rouba a bola e sai para o contra ataque. Antes de mostrar o gol do adversário, vamos entender esse ataque. A bola poderia/deveria rodar um pouco mais para abrir o time do Audax. Ou ainda, a busca de triangulações com os laterais e meias abertos seria uma alternativa para espaçar a defesa barueriense e alguém penetrar pelo meio ou fazendo a diagonal oposta. Nosso meia aberto pela direita, W.Nem afunilou e recebeu a bola pelo meio e recebe a falta (ou tem a bola tomada, como interpretou o juíz. Independente disso, olha como o Audax sufoca quem está com a bola, tirando as opções de Tiago Mendes. Nem, por sua vez, tem dois jogadores fechando, caso ele tentasse a jogada:

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Pouquíssimo tempo de jogo, no momento. Essa é uma virtude do tricolor 2017: procurar sempre o gol. Depois voltaremos às virtudes.

O Gol do Audax saiu, houve uma falha coletiva na defesa, mas com destaque para Buffarini e Douglas. Contudo, temos aspectos coletivos importantes a apontar.

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Percebam a distância entre os volantes. Claro, estamos falando de um contra ataque. Mas onde está a compactação que o Rogério quer? Esse gol, iniciado nesse lance, devemos, todavia, creditar a erros individuais. Mas onde estavam, na continuidade do lance, os dois meias abertos que deveriam acompanhar e apoiar a defesa?

E daí entra o aspecto psicológico no Tricolor: da mesma forma que ocorria no ano passado, quando um companheiro erra (Buffa e Douglas) não tem ninguém para corrigir, pelo contrário, o time se abala e comete erros bobos em sequência, até o adversário fazer o gol.

No segundo gol, o adversário veio tocando a bola. Onde estava a compactação aqui:

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Pelas beiradas os jogadores livres. Onde estava o menino Araújo para fechar? E o posicionamento dos volantes. A bola está com o 7 deles, Caio e Tiago estão atrás, um pouco longe do lance, ainda chegando… Sobra ao jogador deles várias opções e ele escolhe tocar de calcanhar para o meia/volante Carmona tocar para o nove que devolve para ele de calcanhar para poder vencer a meta de Sidão:

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O Caio estava onde? Correndo atrás do Carmona. Tiago marca o juíz.

Bom, não vou esmiuçar as jogadas do São Paulo e as demais jogadas do Audax. A escalação é anunciada para o próximo jogo. Mas o que eu quero dizer é que o time ainda está se adaptando para uma mudança de posicionamento em campo mas também de intensidade. Se o time não funcionar como um todo, como um relógio e intensamente, seremos o mesmo time do ano passado, Ceni será demitido, e teremos um técnico tradicional retranqueiro ou ególatra para nos comandar.

Ceni precisará de tempo. Eu acho que em dez jogos poderemos julgá-lo melhor. O time não é tão ruim (ficará bom com Pratto e Jucilei). Mas é preciso que ele tome as rédeas agora e foque os erros cometidos pelo time (e por ele, em minha opinião, ao escalar Caio como volante. Perdemos nosso melhor zagueiro, craque da posição,  e ficaríamos com um volante… bom apenas.

Saudações tricolores.

 

 

 

 

e

 

 

 

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