Usp

Ouço pela manhã dois estudantes sendo estudados  entrevistados.

Diziam que vinham de longe e queriam estudar.

Que mal a nisso? Nenhum.

Mas um sinal da caretice que impera…

Ouço estudantes, agora a pouco, na faculdade de filosofia, em uma discussão,

sobre o problema do lixo na FFLCH

“A solução é incorporar essas funcionárias …bla bla bla”

Até é justo.

Mas a questão é: a empresa contratada, que emprega o pessoal da limpeza CONTINUARÁ pagando salários de fome para outros…

Na USP, no Metrô, em Curitiba, em Manaus… em todo lugar…

Entende? Mais um sinal da tapadice reinante…

A verborragia do MICRO não pode existir sem a TOTALIDADE do discurso.

Anúncios

Zé Carioca virou arara…

Fui assistir, com meu filho, ao filme “RIO”.

Obviamente, não esperava nada desse filme, a não ser, 90 minutos de risadas e entretenimento em 3D.

Porém, a perplexidade tomou conta da “experiência”. Aliás, foi o suficiente para eu ficar puto e esquecer dos desenhinhos que “saltavam” da tela.

Até meu filho tentar pegá-los perdeu a graça.

Que seria lotado de estereótipos, já sabia. Mas, sr. Carlos Saldanha, desse jeito?

Macaquinhos roubando turistas junto ao Cristo Redentor.

Herói branco e bandido negro.

Realmente, o senhor já é um americano retratando o Brasil, parabéns.

Trilha da Semana: Swans – “Song for the Sun”

Swans Song for the sun Lyrics:
The sun is rising over the buildings across the street
The sun is god’s face looking down at me
as he cries for what he’s done
I will survive my life if I close my mind to all the things
I could never, never, never, never, never, never be
You used to be there when I’d cry, though
you’d not see fit to comfort
me
I don’t need you anyway, and I’ll never call you back to me
But I miss the way your body looks when
you lay there naked next to me
But I won’t cry, no, I will survive the
light of the sun as it enters me
Let it come right in, let the sun come in
Let the sun come in, let it come in
Let it come on it, let the sun come in
Let the sun come in, let it come in

Now they say that hell is a place where memory’s dead and the
only
thing left is this moment moving further away
But I will always try to remember the way you moved your lips
against mine in the lonely bed
If I forget who you were then, I will lose what I am now
Forever and ever and ever and ever again
But I won’t cry, no, I will survive the
light of the sun as it enters
me
Let it come right in, let the sun come in
Let the sun come in, let it come in
Let it come on it, let the sun come in
Let the sun come in, let it come in

O mundo realmente está ficando mais careta

O Adão é senscional…confiram em adao.blog.uol.com.br

José de Alencar agora herói.

“Ele foi um guerreiro” ou “Coitado, que pena”. No dia da morte do ex-vice presidente da República brasileira ( e nos dias seguintes, até a mídia ter outra coisa para dizer nos noticiários, quase que em uníssono entre todos os veículos), quantas vezes não ouvimos frases como iguais ou semelhantes a essas?

Da primeira vez que ouvi, de súbito gritei: “Coitado o c…”, abruptamente, causando, para variar, o espanto de todos. Confesso ter em mim, por motivos familiares, pouco apreço pelos figurões que, à beira da morte, são quase laureados pela opinião pública ou são “mimados” por personalidades da medicina. Ou ainda, recebem tratamentos revolucionários sem qualquer burocracia: mal a pesquisa sai do forno, eles já tem sua aplicação garantida.

Em minha vida, alguns desses casos me marcaram.

Um foi o Senna. Tinha meus 15 anos quando, já comunista “convicto”, comecei, entre outras coisas, a frequentar o PC do B. Claro, durou duas ou três reuniões, pois o partido já demonstrava ser o que é hoje: uma organização burocrática que privilegiava a “boquinha” e corporativismo babaca (continuo comunista, por isso defendo que o PC do B tire o C no nome, em especial em tempos de Orlando Silva, Agnello Queiroz, Aldo Rebelo e Netinho de Paula. O grande João Amazonas deve se revirar no túmulo. E não me venham falar de Gramsci, por favor… Não ofendam a memória de mais um. O que este partido está fazendo no governo é safadeza. Virou o PP da esquerda). Para meu espírito esquerdista, era OBRIGATÓRIO ser do contra às grandes manifestações midiáticas – e portanto de ideológicas. A morte de Senna foi um prato cheio.

Primeiramente, utilizei das críticas niilistas: as piadinhas. Sim, pois o escracho de hoje em dia, apropriado pelos NeoCons (Casseta e Planeta e CQC’s da vida) revelam conteúdos extremamente conservadores. Mas também contém conteúdos importantes, como certa revolta. Acho que muitos que vão assistir às Stand-up Comedies vão atrás de ouvir uma crítica que –pelo menos no nível da aparência – não se apeque a nada, assim como ele. Não vou ficar repetí-las, mas o palco privilegiado dos gracejos era na sala de aula, durante as aulas de química da inesquecível Edininha (onde anda o Rafael?).

Com minha amiga Debora Milone, a crítica séria, comunista. Assistíamos televisão e falávamos ao telefone ou ao vivo sobre o quão ridículo era tudo aquilo. Que farsa, que bobagem. A cidade parou naquele dia para homenagear alguém que… para, encheu a burra de tanto dinheiro e o colocamos como grande defensor do Brasil? Ok, não vou repetir as críticas aqui.

Outro foi o Mário Covas. Esse senhor iniciou a trajetória tucana em São Paulo. Foi reeleito numa eleição em que as PESQUISAS venceram a esperança (na época a Marta era sim uma esperança) e depois a mediocridade (voto no Covas) venceu o Medo (Maluf). Votei nulo. Fez governos mediocres e, graças à morte por câncer, foi elevado ao status de baita governante e símbolo. Fez uma gestão péssima em educação – foi pior que o Alkimin, inclusive. Considerado honesto por todos – e o Rodoanel? E a Vetex? – morreu com um dos maiores infectologistas (?) do mundo, o Sr. David Uip, segurando a sua mão. Se eu tiver câncer (toc, toc, toc) com 40 anos (de novo, toc, toc, toc) o senhor vai segurar minha mão? Não. Provavelmete será um estagiário playboyzinho que, entre mensagens e tuitadas em seu Blackberry avisará minha família para se despedir de mim.

José de Alencar foi muito importante nos últimos 8 anos. Foi o cara que assinou com Lula um compromisso de mudança (conservadora, mas mudança de esquerda, ainda que ao centro) do país. E afastou sim a desconfiança do eleitorado mais conservador. Uma parte votou em Lula. E se este teve penetração em Minas Gerais, segundo colégio eleitoral do país, muito foi por conta de Alencar. Mas, guerreiro? Hora, é fácil quando se tem dinheiro enfrentar qualquer dinheiro. É fácil receber novos tratamentos e passar horas em cirurgias. Quem morre rapidamente é covarde? Ou por que muitas vezes é melhor “descansar” da série de maus tratos sofridos nas redes públicas e privadas de saúde?

Será que enfrentar a morte dignamente, no cotidiano, enfrentando os perigos e dissabores da existência, não nos torna guerreiros?

Mais uma vez, ideologia que a classe média compra. E se entorpece.