A Honra e a Honestidade no Japão: ideologia

Os efeitos do terremoto e, principalmente, do subsequente tsunami que arrasaram o Japão a partir de 11/03, tem comovido a todo o mundo. Todos ficamos chocados com a previsão de 10 mil mortos e os dados atualizados apontam para cerca de 6 mil mortos e outros 8 mil desaparecidos.

Mais do que isso, o perigo de consequências em dimensões que podem ir além dos limites territoriais do Japão ou que perdurem para as próximas gerações nesse mesmo país: o risco de um acidente nuclear. O mundo volta a ficar em alerta.

Muitas vezes, as crises podem servir para que os falsos ídolos caiam. Mais do que isso, que as ideologias se explicitem, que algumas “máscaras sociais” caiam. Quem nunca ouviu dizer que o japonês (assim, bem genérico) é honesto, disciplinado e que vive sob um milenar código de honra (samurais)? Isso pode até ser verdade, mas como ideologia. O homem comum, muitas vezes, vive sob a insígnia da honra e da tal inflexibilidade do japonês frente a norma. Mas e os homens públicos? E as grandes corporações? O mito do harakiri (suicídio) para aquele empregado que se envergonhou devido a algum erro corporativo só é real para o “peão”. Para os colarinhos brancos, isso não existe.

Por que digo isso? Por quê como é possível uma corporação emitir diversos laudos falsos durante tanto tempo sobre algo tão sério: usinas nucleares? E a sociedade só descobre isso quando acontece um ACIDENTE NUCLEAR?

Será que, em algum canto qualquer, em meio a uma festinha com gueixas e saquê, algum desses diretores e técnicos da Tokyo Electric Power Co (Tepco) pensaram: “Xiii… fudeu” quando o Times (jornal LONDRINO) denunciou a tal maracutaia?

No capitalismo, quase tudo é fake. Mas não esqueçamos que o fake (ideologia) tem finalidades concretas: o domínio de uma classe sobre a outra – a burguesia sobre o homem simples.

Até o código dos samurais (real) desmancha facilmente no ar.