Destruindo os destrutivistas

Em recente artigo (?) no semanário informativo (?) Veja, o economista Cláudio Correa e Castro escreveu (?) um artigo intitulado “Construtivismo e Destrutivismo”. O artigo (?) é muito fraco, em todos os sentidos: do texto ruim à falta de conhecimento acerca da matéria tratada. O autor procura desconstruir o construtivismo a partir de quatro pontos. Vejamos:

Minha missão é árdua: quero desvencilhar o construtivismo dos seus discípulos mais exaltados, culpados de transformar uma ideia interessante em seita fundamentalista. O construtivismo busca explicar como as pessoas aprendem.

Piaget nunca falou em construtivismo. A Epistemologia Genética, ou seja, a forma como Piaget chamou os mecanismos responsáveis pela formação da inteligência, não constitui, em si, um conjunto de práticas de ensino (ou metodologia, se preferir). O senhor Castro, portanto, já começou o artigo errando: o construtivismo é uma aproximação da Didática à teoria de Piaget, ou seja, à Epistemologia Genética.

O primeiro engano é pensar que teria o monopólio da verdade – aliás, qual das versões do construtivismo? As hipóteses de Piaget e Vigotsky coexistem com o pensamento criativo de muitos outros educadores e psicólogos. Dividir o mundo entre os iluminados e os infiéis jamais é uma boa ideia.

Mais uma vez o economista (?) Castro se equivovocou. Vigotsky não está relacionado ao construtivismo. Chamamos a aproximação da Didática à Teoria de formação da inteligência de Vigotsky de Sócio Interacionismo. A semelhança se dá na posição do educador que, sai do púlpito de transmissor de conhecimentos para uma posição de mediador desse processo. Além disso, o Castro demonstra que tem semelhanças com o ditador que tanto a revistinha que o emprega critica: o Construtivismo é uma metodologia de ensino : quem o defende acredita realmente ser a melhor forma de garantir a realização do processo educativo. Como outros defensores de outros métodos os defende com unhas e dentes. Simples. Por isso existem Congressos e encontros  de profissionais e pensadores acerca da Educação. São nesses espaços que as teorias são criticadas, aprofundadas e superadas, como aliás aconteceu também com o construtivismo piagetiano. Quem não entende de democracia, realmente não compreende isso, e eu entendo sua posição.

O segundo erro é achar que todo o aprendizado requer os andaimes mentais descritos pelo construtivismo. Sem maiores elaborações intelectuais, aprendemos ortografia, tabuadas e o significado de palavras.

Vá ler Piaget e procure entender a Epistemologia Genética. Jogue o Içami Tiba ou o Gabriel Chalita fora.

O construtivismo não escapa dessa sina. Ou passa no teste empírico ou vai para o cemitério da ciência – de resto, lotado de teorias lindas.

Sim, agora vamos conversar sobre ciência. Em ciências humanas, onde estão incluídas a Psicologia e a Pedagogia, essa já foi uma discussão superada. Voltamos ao método. Toda explicação que o senhor deu para justificar esse trecho (peguei apenas um pedaço, é claro) está correta, mas se levarmos em conta apenas um método: o empirismo lógico ou positivismo. Os leitores de Veja gostam curtem esse tipo de explicação, que usa as lógicas das ciências biológicas na compreensão do homem. Portanto, não discuto. O senhor escolheu um método. Ok, é um problema seu. Mas está fazendo o que criticou: impondo aos demais uma visão de mundo. Claro que é uma visão de classe social, evidente. No mais, existem uma série de pesquisas que comprovam que as idéias de Piaget são realmente válidas e eficazes. Recomendo os trabalhos dos professores Lino de Macedo e Yves de La Taille, do IP/USP.

O quarto erro, de graves consequências, é supor que, como cada um aprende do seu jeito, os materiais de ensino precisam se moldar infinitamente, segundo cada aluno e o seu mundinho. Portanto, o professor deve criar seus materiais, sendo rejeitados os livros e manuais padronizados e que explicam, passo a passo, o que aluno deve fazer.

Sei que o senhor tem dificuldades e não alcança. Mas vamos lá: essa concepção coloca os professores no limbo da intelectualidade, onde, o professor é reprodutor e não produtor de conhecimento. Apenas meia dúzia de escolhidos se tornam pesquisadores, nos programas de pós-graduação stricto sensu. Padronização de conteúdos, definido pelos profissionais da área, ok. Mas chegar à conclusão que o professor não pode elaborar seu material é sinal dessa idéia de professor incapaz.

Recomendo então ao senhor: vá às fontes. Leia. Se informe. Esqueça essa gente: Chalita, Dimenstein, Paulo Renato (seu colega, na economia e na direita), a Nova Escola. Leia, pelo menos, a Formação Social da Mente, de Piaget. Como bom estruturalista e educador, ele é bem didático.

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