Notas sobre um técnico polêmico… e tosco

Wanderley Luxemburgo é um sujeito extremamente inteligente. Contudo, absolutamente empírico: se fosse um cidadão culto, seria imbatível, no campo e nos negócios.

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Não sou favorável às suas pretensões de ser manager, que, na verdade, significa uma ampliação de suas atribuições profissionais e, com certeza, de seus ganhos. Não é ilegal, não sei se imoral, mas no meu time não quero.

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Penso que o que os moleques do Santos fizeram com ele foi uma baita sacanagem. Menosprezo, simplesmente, que muitos concordam, devido às concepções moralistas da maioria da imprensa. Os mesmos que o criticam em relação à sua vida pessoal se empenham numa cruzada “ética” que não incluem, por exemplo, sonegação de impostos através de emissão de notas de serviço de empresas fictícias, algo proibido por lei, mas tolerado pelos governos, ganham dinheiro por fora para apresentar notícias, associam produtos à notícias, se calam e participam de manipulações da opinião pública por parte dos donos do poder. A moralidade desses paladinos midiáticos incluem gratidão e respeito aos mais velhos, o que faltou aos jogadores do Santos.

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Na qualidade de insurgentes, porém, os garotos estão mais que certos. Respeitar acriticamente o passado é contribuir para o recrudescimento das mudanças e fortalecer o que foi instituído. Luxemburgo introduziu no país o treinador estrela, definitivamente. Até então, os treinadores eram senhores que distribuiam os coletes no treino e as camisas antes do jogo, além de ficarem gritando na beira do campo. O lendário Lula do Santos de Pelé foi um dos grandes exemplos desse tipo de treinador. Com Luxa, os treinadores colocaram ternos e óculos, tentavam utilizar termos difíceis e introduzir o linguajar da neurociência no futebolês. Além claro, dos cientificismos advindos da preparação física e da fisiologia.

A molecada é coisa de rua, de praia. Que quer jogar e pronto. Sem frescuras.

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Mas aí vem a chamada “marra”, como dizem os cariocas.

E os moleques vão se convertendo em objetos, bonequinhos para consumo.

Estampam seus nomes e rostos em comerciais de TV, vestem-se com roupas das grifes da moda, servindo de cabides ambulantes.

Adotam a arrogância e a prepotência como estilo de vida.

Afinal, são mercadorias de 30 milhões de euros…

cada um.

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Por isso, que eu considero o ato dos moleques contra o Luxa não uma simples molecagem.

Mas um protesto contra a desvalorização sofrida.

E não falo como metáfora: falo no sentido financeiro.

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